Do motu proprio "Doctoris Angelici" de São Pio X:

"Nenhum Concílio celebrado posteriormente à santa morte deste Doutor, deixou de utilizar sua doutrina. A experiência de tantos séculos põe de manifesto a verdade do que afirmava Nosso Predecessor João XXII: «(Santo Tomás) deu mais luz à Igreja que todos os demais Doutores: com seus livros um homem aproveita mais em um ano, que com a doutrina dos outros em toda sua vida» "(Alocução no Consistório, 1318.)

DA "LECTURA SUPER MATTHAEUM" DE SANTO DE TOMÁS DE AQUINO:

Comentando sobre a Grande Aflição que haverá no mundo durante o período em que a "Abominação da Desolação" estiver ocupando o Lugar Santo, escreve o Angélico:

"Em seguida, haverá uma grande tribulação, porque o ensino cristão será pervertido por um falso ensino. E se esses dias não tivessem sido abreviados, ou seja, através do ensino da doutrina, da verdadeira doutrina, ninguém poderia ser salvo, o que significa que todos seriam convertidos à falsa doutrina."
[Comentário de Santo Tomás de Aquino ao Evangelho de São Mateus - Cap.24,22 - notas de Pierre d'Andria (1256-1259),(630 pags.) Tradução ao francês por Professor Jacques Ménard e Madame Dominique Pillet (2005).]

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

QUEM É, OU QUEM SERÁ O ANTICRISTO?

Muito já foi dito sobre a vinda do Anticristo. Alguns disseram bem, outros disseram a seu bel-prazer tudo aquilo que de sua imaginação puderam subtrair. Esses últimos, no entanto enganaram-se a si mesmos. Não tenho aqui, nem a boa intenção dos primeiros, nem a pretensão enganosa dos segundos. Irei refletir alguns pontos que considero de importância relevante que encontrei num comentário do maior doutor dos santos: Santo Tomás de Aquino, o Doutor Angélico. O texto foi extraído do site oficial da Congregação Vaticano para o Clero: http://www.clerus.org/ em sua versão espanhola.
É o Comentário da Santo Tomás de Aquino à segunda epístola de São Paulo aos Tessalonicenses.
A tradução é de minha autoria, sendo que já peço desculpas por possíveis erros.

1) Comentando sobre II Tes cap. 2, no versículo 4, onde diz o Apóstolo:

(...) o qual se oporá (a Deus), e se elevará sobre tudo o que se chama Deus, ou que é adorado, de sorte que se sentará no templo de Deus, apresentando-se como se fosse Deus. (...) (cf. Vulgata - tradução Pe. Matos Soares)

Santo Tomás diz:
(...) Sinal de sua culpa é o que diz: "até chegar a por seu assento no templo de Deus"; pois a soberba do Anticristo avantaja em muito a de todos os que lhe precederam. Porque assim como se lê de Caio César que quis em vida pusessem em todos os templos uma estátua sua e lhe dessem culto; e do rei de Tiro se diz em Ezequiel 28: "eu sou Deus"; assim é crível o faça o Anticristo chamando-se Deus e homem; e na prova disso se sentará no templo. Mas em que templo?
Acaso não foi destruído pelos Romanos? Por isso dizem alguns que o Anticristo é da tribo de Dan, que não se nomeia entre as outras doze (Ap 7,5); e por isso também os Judeus o receberam primeiro, e reedificaram o templo em Jerusalém, e assim se cumprirá o de Daniel 9,27: "e estará no templo a abominação da desolação" (Mt 24,15). Mas alguns dizem que nunca será reedificada Jerusalém, nem o templo, senão que durará a desolação até a consumação no fim do mundo. Crença que admitem também alguns Judeus; por isso a explicação que dão de "no templo de Deus" a referem à Igreja, porque muitos eclesiásticos o receberão (quia multi de Ecclesia eum recipient). Ou, segundo Santo Agostinho, se sentará no templo de Deus, isto é, exercerá seu principado e senhorio, como se fosse ele mesmo com os seus o templo de Deus, como Cristo o é com os seus. (...)

Referindo-se aqui ao Anticristo se assentar no templo de Deus, o que poderíamos compreender?
Ele (o anticristo) se sentará no templo de Deus? Mas se “no templo de Deus” referem-se à Igreja (segundo Sto. Tomás), então ele se sentará na Igreja de Deus!
Em seguida se diz que “muitos eclesiásticos o receberão”? O que se quer dizer com “o receberão”? Não seria o mesmo que dizer que os eclesiásticos lhe darão franquia?
E Santo Agostinho diz que ele exercerá o Principado e Senhorio de Deus, como se fosse ele mesmo como seus (comparsas) o próprio templo de Deus (a Igreja), do mesmo modo que Cristo com os fiéis católicos em estado de graça são também templos de Deus.

Concluindo, então o que pensar?


1) O Anticristo se sentará na Igreja de Deus.
2) Muitos eclesiásticos o receberão.
3) Sentado na Igreja de Deus, exercerá o Principado e Senhorio do mesmo Deus.
4) Como se fosse ele mesmo (o anticristo) com os seus, a Igreja de Deus. Veja bem que St. Agostinho diz “como se fosse”, ou seja, não diz que é a Igreja Católica. Talvez insinuando a presença de uma igreja falsificada.

Na conclusão, não caímos no erro protestante de afirmar que o Anticristo seria o Papa Católico, Sucessor de Pedro. O Anticristo poderia até estar assentado no trono de Pedro, mas nunca poderia ser um legítimo Papa. Pois nenhum legítimo Papa poderia ser um herege público como é o Anticristo. Tenhamos fé que se realmente o Anticristo chegasse a por seu assento na Igreja de Deus, ele nunca seria um legítimo e verdadeiro Papa.

2) Comentando sobre II Tes cap. 2, no versículo 8, onde diz o Apóstolo:

(...) E então se manifestará esse iníquo a quem o Senhor Jesus matará com o sôpro de sua boca, e destruirá com o resplendor de sua vinda; (...) (cf. Vulgata - tradução Pe. Matos Soares)

Santo Tomás diz:
Ao dizer logo: "e então se deixará ver", põe-se a chegada do iníquo e sua pena; primeiro sua manifestação, logo sua pena. Quanto ao primeiro diz: aquele, o único, iníquo, perverso, se deixará ver, porque sua culpa se fará patente, "a quem o Senhor Jesus matará com o alento de sua boca". - "O zelo do Senhor dos exércitos é o que fará estas coisas" (Is 9,7), isto é, o zelo da justiça, que é amor; porque o espírito de Cristo é o amor de Cristo, e este zelo é o que o Espírito Santo tem para com a Igreja. Ou com o alento de sua boca, isto é, por ordem dela; porque São Miguel lhe dará morte no Monte das Oliveiras, de onde Cristo subiu aos céus. De sorte parecida encontrou seu fim Juliano, o Apóstata, executado por mão divina. E esta é a pena presente, embora também será castigado com a eterna, porque "o destruirá com o resplendor de sua presença", isto é, com sua chegada que tudo o porá como um sol (1Co 4). E o destruirá, digo, com a eterna condenação (Sl. 27). Diz também resplendor, porque o Anticristo pareceu encher de trevas a Igreja, e as trevas são desterradas pelos resplendores; porque tudo o que o Anticristo dará a conhecer será demonstrado haver sido mentira. (Et dicit, illustratione, quia ipse visus est Ecclesiam obtenebrare, et tenebrae expelluntur illustratione, quia quicquid Antichristus ostenderit, ostendetur fuisse mendacium.) trad.: mendacium = mentira, invenção, disfarce.


O que podemos compreender sobre o fato do “Anticristo parecer encher de trevas a Igreja”? Como “encher de trevas”, podemos entender: encher de sombras; de obscuridade; de escuridão; de fumaça, pois a fumaça dificulta a visibilidade.
O Anticristo não somente lançaria pouca escuridão na Igreja, mas a encheria desta escuridão. Dando-se a entender que haveria trevas em muita quantidade.
Logo em seguida, comenta-se que o resplendor de Cristo mostrará que “tudo o que o anticristo dará a conhecer será demonstrado haver sido mentira”. O que entender disto?
O Anticristo dará a conhecer ou ensinará muitas mentiras em oposição à doutrina de Cristo confiada unicamente à sua Igreja.

Concluindo, então o que pensar?

1) Da primeira análise, o anticristo estaria no lugar do Papa.
2) O anticristo encheria a Igreja de trevas.
3) Ensinará mentiras, ou seja, falsas doutrinas.

Hoje em dia devido ao ativismo que nos escraviza, deixamos muitas vezes de refletir sobre aquilo que é essencial, para nos dedicarmos ao supérfluo. Somos relaxados e preferimos não nos comprometermos com tarefas árduas. Mas a nossa salvação não pode ser deixada para depois, já que ninguém sabe a hora que virá o Vinhateiro.
O que posso dizer é que hoje nos são oferecidos vários caminhos: Modernismo, Tradicionalismo, Sedevacantismo, etc. Não devemos nos rotular, dizendo: eu sou isso ou aquilo. Devemos ser somente Católicos Apostólicos Romanos.
Deus nos deu a razão, a inteligência e a vontade para que pudéssemos aprender aquilo que Ele mesmo nos revelou através de sua Igreja. Que possamos então refletir, estudar e entender tudo o que Ela nos ensina. Perceber se o Anticristo já está ou ainda não está visível ao mundo é tarefa muito difícil. É somente estudando que poderemos perceber se a doutrina de Cristo permanece à mesma confiada aos Apóstolos e aos Papas. É somente quando esta doutrina imutável tornar-se mutável que constataremos a presença do Anticristo, pois ele ensinará falsas doutrinas em oposição à verdadeira.
Na conclusão final prefiro que cada um siga àquilo que ensina a Igreja Romana, pois ela é o Fundamento e Sustentáculo da Verdade, que é Cristo Senhor Nosso.

Em Cristo, na Igreja.
Rodrigo.
Um artigo mais bem elaborado sobre o assunto pode ser acessado em:

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

A APOSTASIA DOS ÚLTIMOS TEMPOS

Santo Tomás de Aquino, comentando 2Tessalonicenses 2,3, explica como será a Apostasia dos últimos tempos:

“Estabelece logo a verdade, ao dizer: "porque não virá este dia sem que primeiro haja acontecido a apostasia"; e mostra primeiro o que acontecerá à vinda Anticristo, que são duas coisas: uma anterior à sua vinda; outra, a sua mesma vinda. Primeiro está a apostasia, que a Glosa explica de muitas maneiras, e primeiro da fé, que, segundo estava anunciado (Mt 24), todo mundo a receberia. Esta é, pois o sinal precursor, que -segundo Santo Agostinho- ainda não se cumpre; depois dela haverá muitos apóstatas (1Tm 4) "e pela inundação dos vícios se resfriará a caridade de muitos" (Mt 24,12).
Ou entende-se a apostasia ou separação do Império Romano, ao que todo o mundo estava submetido. Segundo Santo Agostinho, figura sua era a estátua de Daniel, em cujo capítulo 2 se nomeiam 4 reinos, os quais terminariam no acontecimento da vinda de Cristo; e que isto era um sinal a propósito, porque a firmeza e estabilidade do Império Romano estava ordenada a que, debaixo de sua sombra e senhorio se ensinasse por todo o mundo a fé cristã. Mas como pode ser isto, sendo já passados muitos séculos desde que os Gentios se apartaram do Império Romano e, isso não obstante, não havia vindo ainda o Anticristo? Digamos que o Império Romano ainda segue em pé, mas mudada sua condição de temporal em espiritual, como disse o Papa São Leão em um sermão sobre os Apóstolos. Por conseguinte, a separação do Império Romano há de entender-se, não só na ordem temporal, senão também na espiritual, e a saber, da fé católica da Igreja Romana. E isto é um sinal muito a propósito, porque, assim como Cristo veio quando o Império Romano senhoreava sobre todas as nações, assim pelo contrário o sinal do Anticristo é a separação dele ou apostasia.”

(http://www.clerus.org/bibliaclerus/index_esp.html - Traduzido por Rodrigo Santana)


O que vivemos hoje? Não seria uma total separação do Império Romano Espiritual, ou seja, da Fé Católica da Igreja Romana?

O que diríamos ainda das proporções alcançadas por essa apostasia. Estaria ela somente fora da Igreja Romana?
Quantos católicos hoje comungam nas missas usando métodos contraceptivos sem ninguém os ensine que isto é pecado. Porventura isso deixou de ser pecado?

Quantos católicos comungam em pecado mortal nas missas sem que ninguém os ensine que o pecado mortal tira-lhes a vida da alma, e que por isso ao comungarem cometem sacrilégio. Perdeu-se a noção do pecado?

Quantos católicos aceitam todas as outras religiões como se na verdade todas fossem boas e que por isso relativizam sua fé, colocando ainda a fé católica em pé de igualdade com todas as outras. A Igreja Católica não é a única fundada por Cristo?

É importante notar que esta apostasia se desenvolve de modo crescente e até já entrou no seio da Igreja, diz o Papa São Pio X: “E o que exige que sem demora falemos, é antes de tudo que os fautores do erro já não devem ser procurados entre inimigos declarados; mas, o que é muito para sentir e recear, se ocultam no próprio seio da Igreja, tornando-se destarte tanto mais nocivos quanto menos percebidos.” - Encíclica Pascendi – nº2

Se esta apostasia é crescente, ou seja, segue na direção de ser maior a cada tempo, como hoje ela poderia ser menor que no tempo de São Pio X? Pois quanto mais perto estamos da vinda do Anticristo, tanto maior se torna a apostasia. Se no tempo de São Pio X os apóstatas já estavam dentro da Igreja, quanto mais hoje!

Como não perceber a crise na fé! Como negar que isto seja verdade? Como fazer de conta que tudo anda as mil maravilhas!
É inevitável, pois o Anticristo só virá depois da apostasia da fé. Ele virá quando o Império Romano Espiritual deixar de senhorear sobre os povos.
Como negar então um declínio da atuação da Igreja sobre a vida dos povos!
Não estou dizendo de modo nenhum que as portas do Inferno poderão prevalecer sobre a Igreja Católica. Pois Cristo nos prometeu o contrário.
Mas estou dizendo que o povo abandonará a fé Católica. Esta fé recebida de Cristo e transmitida pelos apóstolos permanece intacta, guardada pela Igreja, única depositária da Verdade. Firmeno-nos nos dogmas, nos cânones, nas definições dos concílios, nas doutrinas perenes confirmadas e reconfirmadas pelos Pontífices Romanos, enfim, em tudo que está ligado nos céus pelas chaves que foram dadas a Pedro.
Estudemos a fé católica, desde os Apóstolos, deste os Santos Padres, desde os Santos Doutores. Que possamos confrontar os documentos novos com os antigos, perceber se o novo é igual ao antigo, pois Cristo é o mesmo, ontem, hoje e sempre.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

LIVRO DIGITAL SOBRE O DOM DE LÍNGUAS



Neste dia 03 de setembro - Festa de São Gregório Magno - o site Veritatis Splendor dispõe ao público uma importante obra sobre o extraordinário Dom de Línguas.

Acesse e peça o seu exemplar : descubra toda a verdade sobre este tema de difícil compreensão para a grande maioria dos católicos, inclusive para os próprios membros da RCC.


Acesse: www.veritatis.com.br/ebooks/domlinguas.pdf

quarta-feira, 23 de julho de 2008

"Caricaturas" do Estado de Graça

Assim como temos várias caricaturas da verdadeira Igreja de Cristo, hoje em dia temos várias “caricaturas” da verdadeira condição para salvação de nossa alma. O Concílio de Trento (totalmente válido e infalível até hoje) definiu como condição indispensável para a salvação da alma, o crente estar em estado de graça. Muitos católicos perderam o valor ou não aprenderam o que realmente se dá com aquele que está em estado de graça: é aquele que tem a vida divina, que participa da natureza divina, habitado pela Santíssima Trindade, que é templo do Espírito Santo.

O demônio, muito astuto, quer que não percebamos o valor do estado de graça e de sua conservação para a vida da alma, por isso coloca nos corações dos homens outras doutrinas diferentes e destruidoras, que tem por objetivo fazer as pessoas perderem a noção da conservação da vida da graça para a salvação da alma.

A maior luta do demônio é para que percamos a noção do que é o estado de graça, bem como de sua necessidade. Pois aquele que perde esta noção fica mais vulnerável à sua ação tentadora, deixa de velar para que este estado seja conservado, deixa de evitar o pecado, pois pensa que Deus perdoa seus pecados apenas pelo fato de pedirmos isto a Ele em nossas súplicas. É claro, que se Ele assim o quisesse poderia nos perdoar desta forma, e de maneira extraordinária (fora do normal) pode até o fazer em alguns casos onde a pessoa esteja de boa fé. Mas se fosse esta a Sua vontade, não haveria necessidade de Jesus instituir o sacramento da Confissão, que é a forma ordinária (via normal) que Ele instituiu para este fim.
Aquele que perde o sentido do estado de graça perde também o verdadeiro valor do sacramento da Confissão, que foi instituído por Cristo justamente para perdoar os pecados mortais cometidos após o batismo e com isto restaurar o perdido estado de graça. Pois, estar em estado de graça é estar isento de pecado mortal. Sendo assim o demônio inventa nos corações dos homens “caricaturas” ou “distorções” do estado de graça para nos enganar e fazer que sejamos condenados ao inferno.

Podemos dizer que esta é a grande luta deste nosso tempo: lutar contra a “falsificação” do estado de graça.

O mesmo podemos dizer da “oração em línguas”, que é em certo sentido uma “caricatura” ridícula e muito bem falsificada daquilo que São Paulo escreve na sua Carta aos Coríntios, onde ele explica o que é realmente o dom de línguas.
Este tipo de caricatura, derivada daquela principal que destrói o estado de graça, colabora para que a principal seja promovida. Mas de que maneira?
Suponhamos o exemplo de uma seita que destituída da sucessão Apostólica, e com isso dos Santos Sacramentos, bem como da Sagrada Tradição e do Sagrado Magistério. Com estas premissas já concluímos que ela já não possa existir. Mas considerando o que acontece na prática: a seita existe. Como fica destituída dos sacramentos, e com isso de sinais sensíveis que comunicam a graça invisível (insensível), necessita então de criar algo de sensível para “caricaturar” os sacramentos, e assim oferecer em suas reuniões heréticas.
Apela então para o emocionalismo e sentimentalismo. Substituindo o estado de graça, que é algo de sobrenatural e por isso não experimentado (CIC 2005) pelos sentidos do homem, por algo natural como o emocionalismo, a seita introduz na consciência do crente que este sentiu a Deus, e se baseia neste sentimento para deduzir que Deus habita em sua alma (Sendo que na verdade não podemos sentir nossa própria alma). Concluindo então que na referida seita a presença de Deus na alma é baseada através dos sentimentos, deduzimos que a oração em línguas deve ser também algo de sensível para reforçar aquilo que concluem sobre a mesma presença de Deus. A oração em línguas então serve para confirmar aquela “presença sentimental” de Deus em suas almas. Daí dizerem que “oram em espírito”, ou seja, se estão orando em espírito, deduzem que é sinal de que o Espírito Santo está habitando neles. Sendo que na verdade qualquer pessoa, até mesmo um ateu, se exercitado para “orar em línguas” da maneira deles o conseguiria facilmente. Aquilo que chamam de “dom de línguas” não é nada mais que um som produzido pela vibração contínua das cordas vocais onde estas tremem e produzem o som. Não é um dom, é apenas aptidão, basta que a pessoa seja treinada para fazer este som que ela o produzirá sem menores dificuldades.

Uma verdadeira “perda de tempo”, onde as pessoas, muitas vezes sem conhecimento e sem ajuda de ninguém, são enganadas e levadas a pensar que agindo através de um puro sentimentalismo, poderão receber os mesmos méritos que receberiam se orassem pedindo a Deus as graças necessárias à sua salvação. Mas é também verdade que Deus conhece a intenção do coração destas pessoas, e de acordo com aquilo que Ele vê nestes corações: pureza ou maldade - pode conceder até mais méritos do que para aqueles que oram corretamente, mas possuem “corações de pedra”.
De qualquer forma, a verdade é que perdem tempo e deixam de pedir aquilo que serviria para a salvação da alma, ou seja, a graça santificante. Este é um meio que o demônio se utiliza para desviar os corações do verdadeiro Evangelho de Jesus Cristo confiado à sua Igreja.

Voltando ao assunto principal, independentemente da intenção das pessoas, essa “caricatura” do “dom das línguas” faz com que seja promovida a falsificação do estado de graça e consequentemente de toda a doutrina da Igreja Católica.

Que aqueles que são responsáveis pela difusão da verdade dentro da nossa Santa Igreja Católica possam perceber a importância do ensino correto das verdades da nossa fé.

Peçamos a Virgem Imaculada, Maria Santíssima, que nos livre a todos e ao nosso povo deste ensinamento de todo contrário à verdade de Nosso Senhor Jesus Cristo.


Viva o Papa Bento XVI !!!

terça-feira, 17 de junho de 2008

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Para onde vai nossa sociedade civil?

Temos hoje uma verdadeira “salada” de seitas atuando livremente na sociedade, e com pleno direito dado pelo Estado. Dado este direito fica claro que o Estado relativiza a religião. Fatalidade nefasta!
O que sobrará da sociedade?
A sociedade civil pode dar reconhecimento à prática de qualquer religião publicamente? Ou, seria somente por tolerância.
O papa Leão XIII nos responde:


CARTA ENCÍCLICA

SAPIENTIAE CHRISTIANAE

DO SUMO PONTÍFICE
LEÃO XIII
SOBRE
OS DEVERES FUNDAMENTAIS
DOS CIDADÃOS CRISTÃOS


1. Restaurar os princípios da sabedoria cristã e conformar plenamente com eles a vida, os costumes e as instituições dos povos, é uma necessidade que cada dia se torna mais evidente. Da desestima deles derivou tão caudalosa enchente de males, que nenhum homem de são juízo pode tolerar o estado presente sem ansioso cuidado, nem alargar os olhos sem receio do futuro.
2. Tem-se feito, é verdade, não medíocre progresso nas comodidades corporais e extrínsecas; mas toda essa natureza sensível, a abundância de meios, as forças e as riquezas, se podem gerar comodidades e aumentar a serenidade da vida, não poderão nunca satisfazer a nossa alma, criada para coisas mais altas e com mais gloriosos destinos. Olhar a Deus e encaminhar-se para ele, tal é a lei suprema da vida do homem, o qual, criado como foi à sua imagem e semelhança, é impulsionado com toda a força de sua mesma natureza a gozar do seu Criador. Todavia, esse caminhar para Deus não é obra de movimentos ou esforços corporais, mas atos próprios da alma, que são: conhecimento e amor. Deus é a primeira e suprema verdade, e da verdade não vive senão a inteligência. Deus é a santidade perfeita e o sumo bem, e a este só a vontade pode aspirar e chegar eficazmente por meio da virtude.

Fim último da sociedade

3. Ora, o que se diz dos indivíduos, também se aplica à sociedade doméstica e à civil. Efetivamente, se a própria natureza instituiu a sociedade, não foi para que o homem a seguisse como a seu último fim, mas para que nela e por ela achasse meios eficazes que o auxiliassem no aperfeiçoamento de si mesmo. Logo, se houver sociedade que não procure senão as vantagens externas, vida cômoda e delicada, se tiver por praxe pôr a Deus de lado na administração da coisa pública e descurar as leis morais, desvia-se perfidamente do seu fim e das prescrições da natureza e, mais que sociedade e comunidade de homens, é uma imitação enganosa e um vão simulacro da verdadeira sociedade.
4. Ora, esses bens da alma, que acima dissemos, os quais não se encontram senão na verdadeira religião e na prática perseverante dos preceitos cristãos, vemos que se escurecem cada vez mais entre os homens ou de esquecidos, ou de enfastiados, e parece em certo modo que, quanto mais adianta o progresso no tocante ao corpo, maior se torna a decadência dos bens da alma. E não são pequena prova da diminuição e enfraquecimento da fé cristã as injúrias que com tanta freqüência, à luz do dia e aos olhos do mundo inteiros, se estão fazendo à religião, injúrias que numa época zelosa da religião de forma alguma teria tolerado.
5. Por isso mal se pode calcular quão grande multidão de homens se encontra em risco de perdição eterna; e não só os homens, mas também as mesmas sociedades e Estados não poderão conservar-se largo tempo incólumes, porque com a ruína das instituições e dos costumes cristãos, arruinados ficam sem remédio os mais sólidos fundamentos da sociedade humana. Resta só a força material para manter a ordem e tranqüilidade pública; mas essa força bem fraca é, quando não se apóia na religião, tornando-se mais apta a criar escravidão do que obediência; traz em si mesma os germes de grandes perturbações. Assaz catástrofes nos apresentou já o século em que vamos, e quem sabe as que estão ainda por vir!

Magistério da Igreja

6. Por conseguinte o mesmo tempo em que vivemos, incita-nos a procurar o remédio onde ele se encontra, isto é, a restabelecer, na vida particular e em todas as partes do organismo social, os princípios e práticas do cristianismo, que é o único meio capaz de exterminar os males que nos vexam e de prevenir os perigos que nos ameaçam. A isso, veneráveis irmãos, devemos atender, nisso com todo o empenho e esforço trabalhar. Por essa razão, embora nós tenhamos já tratado essas matérias em outras circunstâncias, segundo se nos oferecia ensejo, parece-nos todavia útil expor com mais desenvolvimento nesta carta os deveres dos católicos; deveres, cujo cumprimento exato contribuirá admiravelmente para se salvar a sociedade. Vivemos numa quadra de luta desesperada e quase cotidiana sobre matérias de máximo interesse, na qual de maravilha se não deixarão alguma vez embair uns, desencaminhar outros e esmorecer muitos. E daí, veneráveis irmãos, o nosso dever de advertir, ensinar e exortar a todos os fiéis, como requerem os tempos “para que ninguém abandone o caminho da verdade”.
7. Está fora de toda a dúvida que na prática da vida mais e mais graves obrigações acorrem aos católicos do que aos homens pouco penetrados da nossa fé ou totalmente desprovidos dela. Quando Jesus Cristo, consumada a redenção do gênero humano, mandou os apóstolos que fossem pregar o Evangelho a toda a criatura, impôs logo a todos os homens a obrigação de escutar e crer o que lhes fosse ensinado, obrigação à qual vinculou indispensavelmente a salvação eterna: “o que crer e for batizado, será salvo; o que, porém, não crer será condenado” (Mc 16,16). Mas, uma vez que o homem abraçou, como devia, a fé cristã, fica por esse fato sujeito à Igreja, como seu filho, e torna-se membro da mais vasta e mais santa sociedade, a qual o Pontífice Romano governa com missão expressa e autoridade suprema, debaixo de sua cabeça invisível, que é nosso Senhor Jesus Cristo.
8. Ora, se a lei natural nos manda amar com predileção extremosa e defender a terra em que nascemos e os criamos, de modo que todo o bom cidadão esteja pronto a arrostar até a morte pela sua pátria, com muito maior razão devem os cristãos animar-se de iguais sentimentos a respeito da Igreja, que é a cidade santa do Deus vivo, obra imediata de Deus e por ele mesmo organizada, a qual anda, sim, peregrinando nesta terra, mas é a que chama os homens e os instrui e encaminha à eterna bem-aventurança. Amemos, pois, e muito a nossa pátria terrena que nos deu a vida mortal: mas amemos ainda mais a Igreja à qual somos devedores da vida imortal da alma, porque é justo preferir aos bens da alma aos do corpo, e os deveres para com Deus têm um caráter mais sagrado que os deveres para com os homens.

9. De resto, se bem ponderarmos, o amor sobrenatural da Igreja, e o amor da pátria são dois afetos que procedem do mesmo princípio eterno, de ambos é o mesmo Deus autor e causa, e por isso nunca poderá um ir de encontro ao outro. Sim, nós podemos e devemos por um lado amar-nos a nós mesmos, querer o bem ao próximo, amar a coisa pública e a autoridade que a governa, e por outro lado e ao mesmo tempo venerar a Igreja como a Mãe, e amar a Deus com o maior amor que nos caiba no coração.